aos poucos te afastarás de mim. tudo começará sem muito barulho, sem que qualquer um de nós perceba de fato o que está acontecendo. um dia ficarás longe de mim, e nem sentirás falta. no começo parecerá estranho, mas aos poucos iremos nos acostumando com nossa não-presença. aos dias que se vão, acompanharão os beijos. depois os carinhos, as conversas intermináveis, os elogios e – aos poucos – representaremos cada vez menos para o outro. chegará ao ponto de sermos amigos. apenas amigos. faremos coisas que amigos fazem. sairemos na tarde de sábado. dividiremos a pizza. assistiremos a um filme b. e com o tempo até a nossa amizade será um estorvo na minha e na tua vida. no sendero por onde desfilaremos nossos novos amores não haverá mais espaço para nós dois juntos. as viagens, os amigos, o dia chuvoso, a visita dos parentes distantes. tudo o que nos mantinha unidos agora será desculpa para ficarmos cada um em seu canto. e nossa amizade, ela também, irá – aos poucos – se desmanchando entre os dedos de nossas mãos, que já não se tocam, já não se afagam. então virão os intermináveis meses que passaremos sem nos ver, sem nos falar e, um dia, sem ao menos ouvir um do outro. não perguntarei mais de ti. tampouco tu de mim. estaremos sempre em lugares diferentes. e nossos amigos nem mais estranharão que não apareceremos mais juntos nas festas, na praia, no mercado. tu te esquecerás de mim. e outra irá se deitar na tua cama. tu chamarás a ela de “meu bem”. e nós, nós seremos dois desconhecidos. eu e você. um dia nos cruzaremos em uma dessas ruas do centro da cidade. como dois estranhos, sem reconhecer nossos olhares, tentaremos lembrar, enfim, de onde nos conhecemos. e não nos lembraremos.
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10 comments
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Maio 12, 2009 às 4:14 am
Hélio Jorge Cordeiro
I don’t know where I’m, are you?
We lost each other, but I’m not shure it is happening with us…
Fuck! Here you are, again!
I love you!
Maio 12, 2009 às 1:05 pm
Jongleuse
É o que todo mundo mais quer e mais tem medo que aconteça ao fim de um amor…
Maio 13, 2009 às 5:02 pm
Fernanda Melani
Você escreve muito bem e com sentimento.
Queria saber se posso trocar correspondência com você por e-mail, também gosto de escrever, porém não adianta escrever para pessoas que não alcançam o sentido das palavras.
Maio 13, 2009 às 10:04 pm
Rômulo Mafra
este texto foi escrito “ao vivo” durante o Sarau Benedito…
Maio 15, 2009 às 2:10 pm
marjoriebier
“Never know how much I love you. Never know how much I care.”
Texto certeiro, chèrrie!
Maio 15, 2009 às 2:37 pm
martha
c-a-r-a-l-e-o
Maio 19, 2009 às 2:47 pm
marjoriebier
Bem teu tipinho mesmo dar cano em amigo!!!!
Maio 22, 2009 às 10:15 pm
rubens
caraleo 2
Junho 25, 2009 às 5:19 pm
Caroline Cezar
não precisa ser tão direto.
Julho 7, 2009 às 3:28 am
Artur
gosto e me identifico muito com aquilo que leio aqui. fez tempo que ‘frequento’ o blog e depois de ler e reproduzir (indicando devidamente) tantas das coisas que vejo aqui decidi que deveria ao menos, não sei, avisar seria a palavra. e parabenizá-lo. parabéns então. é isso.