Nasci numa Quarta-feira da Paixão na descida da Serra do Mico, onde a estrada faz uma curva. Era outono. Quase morri antes de fazer um ano. Depois me engracei pela vida e nunca mais parei de viver. Na infância fiz muitas coisas sérias: apanhei chuchu no telhado da garagem; montei uma banda que só tinha um baterista tocando um balde virado; tive criação de lagartas e escalei em tempo recorde o abacateiro lá de casa. Aos sete anos vim pra Itajaí. Morei na Rua das Sete Casas, onde o meu quintal era o mundo. Namorei todas as meninas do bairro. E elas não sabem até hoje. Já fui palhaço, vendedor ambulante, professor de inglês, empacotador de carne de siri, tradutor, seminarista. Já trabalhei na roça plantando arroz. Já apresentei baile de debutante. Já dei a volta ao mundo com uma mochila nas costas. Virei comunista e comecei a dizer poesias. Casei. Separei. Já fiz um filho, já plantei muitas árvores, e agora estou escrevendo um livro. Mas tudo isso me parece tão pouco. Passei a vida a me procurar. Me encontrava todos os dias pra me perder de novo, logo em seguida. Tive tudo. Perdi tudo. Mas meus dias sempre tiveram fundo musical. Aprendi que a vida vale a pena, e ser feliz é a lei, e nunca mais esqueci disso. Toco violão. Falo inglês. Sou jornalista. Sonho sem parar. E acho que estou gostando da menina mais bonita.

6 comments
Comments feed for this article
Agosto 25, 2007 às 3:28 am
linda
Lindos os teus poemas…
Tens um dom inigualável!!!
Parabéns…
Escreves, como uma criança que brinca com seus brinquedos…
Teces, como um artesão fia a roca…
Estou impressionada…
Mais uma vez, parabéns!!!
Novembro 24, 2007 às 1:42 am
Helen Francine
Oi…
Escrevo para dizer que teu ensaio sobre as ziquinhas de Itajaí está bárbaro. Foi numa manhã chuvosa de primavera, dentro da Casa Aberta, depois de falar com o Beto Severino e Ivana que comprei o Clap. Achei um amor a pose do Hélio na capa e simplesmente acelerei com a tua Zica, he, he, he!
Parte do “Cadê a minha Ziquinha” entrou num trabalho meu para o curso da Academia Brasileira de Jornalismo Literário, que faço em Curitiba, tudo bem? Como autor escrevi: Felipe Damo é jornalista, que ainda na infância aportou em Itajaí.
Se tiver interesse acessa: http://www.textovivo.com.br.
Boa semana e ótimas pedaladas por aí…
Ternura e poesia, sempre!
Março 22, 2008 às 5:20 pm
Paula
Tu sabes bem que foi lendo exatamente esses texto que me encantei por vc, e acho que nesse caso, cabe perfeitamente um”sub-plágio”: “depois me engracei por VOCÊ e nunca mais parei…”
beijo em ambas bochechas.
Maio 12, 2008 às 2:33 pm
Mancha
Fala felipe. quanto tempo hein, my brother?
to na área e com um projeto novo, a estrutura L.I.M.B.O. . oficialmente o euthanasia tá de “férias”. após 16 anos tocando resolvemos dar um tempo. a banda nova eh quase o euthanasia. tá bem legal, ve se consegue ouvir e manda um e-mail. viajei nos teus textos e fio feliz em saber que vc está na ativa. tá morando em itajaí? quando baixar em floripa dá um alô
força my king. sempre.
paz.
mancha
Agosto 17, 2008 às 5:45 pm
Marina Pinheiro
Felipe, esse é uns dos textos mais lindos e simples que eu já li em toda minha vida!
Grande abraço!
Fevereiro 20, 2009 às 5:29 pm
Michele
Ahh… acabei de ler o “About” e você nasceu em uma Quarta feira da paixão? Então seu aniversário acabou de ser… Ou está sendo… =)
Parabéns… Adiantados, ou Atrasados!
Beijos!