You are currently browsing the category archive for the 'Uncategorized' category.
Complete o simpático quase hai cai natalino:
Então é Natal:
Mudam os presentes
(………………..complete aqui com 1 verso…………….)
Ele não desiste. O escritor pernambucano radicado em Itajaí, Hélio Jorge Cordeiro, acaba de lançar o seu segundo romance em terras catarinas. Sei que sou suspeito em falar, uma vez que coube a mim a honra de prefaciar a obra. Porém, apresentar é uma coisa, resenhar é outra. Helinho chega ao seu segundo romance mostrando um amadurecimento de estilo, uma trama mais densa e uma riqueza de detalhes que talvez seja o maior diferencial entre o primogênito e o caçula dessa prole literária.
Ainda com traços de sua carreira de roteirista do glorioso cinema nacional brasileiro, Onde o Diabo Perdeu as Botas poderia, sem muito esforço, ser adaptado ao teatro ou ao cinema. É uma daquelas tramas nas quais o leitor se vê obrigado a imaginar o take já no instante em que os olhos galopam sobre o emaranhado de letras. A história fácil e envolvente toma lugar diante dos olhos, ali, na rua na frente de casa. Não requer muita abstração.
Nesta segunda aventura pela sinuosa e longa estrada da literatura, Cordeiro trabalha melhor as personagens que são, sem dúvida alguma, o ponto alto da obra. O autor capricha na descrição e nas idiossincrasias de cada um deles. A comparação com Dias Gomes, outro comunista dado às letras, é inevitável e, a meu ver, honrosa. É assim na concepção das personagens, seus conflitos, dilemas e fraquezas. E o clima interiorano, com aquele jeitão de “os confins da pátria mãe gentil” também ajuda no tempero da história, que margeia o realismo fantástico, tão caro aos autores latino-americanos e ainda tão pouco explorado pelos escritores brasileiros, muitas vezes americanizados no estilo e no espírito.
A história é leve, flui maravilhosamente bem, e está salpicada de um humor inteligente, outra marca registrada do autor boa-vida. Ou como é que você imaginaria a visita de Belzebu ao sertão do Brasil?
Com Onde o Diabo Perdeu as Botas, Hélio Jorge Cordeiro mostra mais uma vez que é possível fazer uma literatura mais próxima do entretenimento, sem hermetismos, e com a simples ambição de contar uma boa história, como nos velhos tempos, como nas cidadezinhas de interior, como nas rodas de botequim, onde velhinhos recordavam causos memoráveis e onde, vez ou outra, o diabo, de fato, aparecia.
Como são belas as crianças! Está aí um tema sempre presente na história da humanidade. As crianças do meu Brasil. Tem gente que gosta, tem gente que odeia. Há até aqueles que adoram as crianças acima de tudo. Gandhi e Michael Jackson, só pra citar dois exemplos. Gostavam de dormir com infantes na cama. Boas vibrações, diziam eles, uma energia especial, tenra, fora do comum, talvez.
É um fato: todos já foram criança um dia. Alguns ainda não passaram dessa fase – não falo daqueles entre 1 e 12 anos. As crianças eternas! Há inclusive uma empresa estadunidense chamada Perpetual Kids que se especializou em fabricar coisas para aquelas pessoas que guardarão para sempre um moleque dentro do peito. É a mais variada sorte de quinquilharias que se possa imaginar e que estão disponíveis por poucos dólares. Band-aids em forma de bacon, colheres em formas de aviãozinho, canecas, relógios, tapetes…Criança não tem limite. A saudade dessa fase também não.
Já dizia Casimiro de Abreu: “Ah, que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais”. Pois parece que poeta é um bicho saudoso pacas. O Marcos Konder Reis tem também na infância um de seus maiores poemas, onde tristonho, talvez olhando o mar se debruçando ali na praia da Armação pergunta enfim aquilo para o que talvez nem resposta haja: “de que vale a infância, se a perdemos?”
Deixando a poesia de lado, criança é um assunto fácil em qualquer roda de bate papo. Você sempre tem um primo, um irmãozinho, o filho sapeca do vizinho da frente. Algum serzinho a quem tenha uma história a atribuir, uma reclamação a fazer. Criança é presença sempre garantida em festinhas de final de semana, matinês de carnaval, jogo de futebol e circo, em suma, qualquer lugar onde haja brigadeiro ou gelatina em copinho plástico. E mais, criança é um aparelho que vem desprovido de senso de conveniência mas, em compensação, vem com o ponteiro da honestidade afiado. Quer uma prova? Por que as mulheres nunca perguntam para as crianças se estão bonitas, se a blusinha verde escura vestiu bem, se estão gordas? Entenderam, né? Criança diz na lata.
Sim, porque os pequerruchos também têm um lado meio carregado. Dia desses fui buscar meu filhote na escola e, como um bom pai, me posicionei de frente para o crime, postado em pé e em linha direta com a porta da sala de aula. Cinco e meia. Toca a sirene. A porta se abre. Valha-me Nossa Senhora! Só quem já presenciou um soar de sino de escola sabe do que eu falo. É a visão mais próxima que tenho da Barbárie da qual escrevem pensadores socialistas. O ser em seu estado primitivo. Pra não falar de inferno, porque o diabo não merece.
É criança correndo de um lado para o outro, sem chegar a lugar nenhum e sem explicação. Um batendo no outro. Bolas, roupas e mochilas voando. Tropeçares mútuos em pés alternados. Um puxão de cabelo aqui, um tabefe acolá. Gritos, gritos. Chamam por nomes, contam histórias, apenas berram. É a ânsia da vida nascendo diariamente através da criança. E como a vida faz barulho. Talvez seja o excesso. Tudo o que é demais causa espanto. No fundo parece um campo de batalha. Uma guerra particular em miniatura. Olho para os lados atônitos. Meu filho não é diferente. Vem pulando aos brados. Tenho a impressão de que é a bolsa de valores de Liliput, ali se descortinando sob meus olhos incrédulos.
Como são infernais as crianças!
Ela ainda sonha com um príncipe encantado
Que está tão longe, longe, longe
Ele ainda no escritório sempre muito ocupado
Acha que é triste, triste, triste
Ela ainda pensa mesmo que calada
Que a vida é bela, bela, bela
E pelos quilômetros da auto-estrada
Ele pensa nela, nela, nela
E se os dois um dia estivessem lado a lado
E se fosse certo, certo, certo
E se os dois desafiassem o que há de errado
E ficassem perto, perto, perto
Ela então um dia enfim saberia
O que é amar
E ele findaria com sua alegria
Todo esse penar
não gosto das coisas certas certas
gosto da imperfeição delicada
da beleza estranha
de tua distância
do teu olhar pousado em silêncio
sobre meu olhar desesperado
meu deserto
eremita vago
pelas tuas sombras
tua vocação à ausência
teu sentir calado
cada um tem sua vidinha
eu a dela
e ela a minha
Para Priscilla
em sonhos brandos
subo penhascos
me disfarço em abismos
balões interplanetários
e alguma madrugada
[procuro no coração meu Oriente]
eu que sou poeta
eu que sou povo
e sou homem
e multidão
e gente
levanto o rosto para a luz
você – sol de viagem
mundo me faço
invento desertos
oceanos e cordilheiras
porque te amar é mais do que tudo isso
ficaremos você e eu
no fim ficará a paisagem
ficará o planeta rodando
em meu peito
relâmpago menino
meu amor
tão moço sentimento.
Posso até levar um puxão de orelha por transitar por um assunto tão batido. Mas este texto é uma resposta a uma provocação. Para aquela moça que anda em dúvida se termina ou não o namoro que não anda lá aquelas coisas, aí vai: é melhor amar do que ser amado. E a constatação não é minha, não. A oração de São Francisco de Assis, lá das penumbras imemoriais da Idade Média, já dizia isso. “Mestre, fazei que eu procure mais amar que ser amado.”
Explico. Ser amado é bom. Quem não gosta de ser paparicado, elogiado, desejado por alguém? Isso é muito gostoso, eleva a auto-estima, nos faz sentir como se únicos. Os melhores. E não é só nas relações conjugais. Elogio de trabalho também está valendo. Elogio do pai, da mãe, da avó, do professor. A alma é muito afeita aos comentários positivos.
Porém, amar é diferente. E não há nada melhor que amar. Se por um lado, ser amado envolve um sentimento de carência, de déficit de carinho e atenção – talvez uma herança, algum trauma da infância que deve ser resolvido um dia – amar é um sentimento gratuito e livre. Não envolve “atingir expectativas” de ninguém. A gente ama porque ama. Ou, se existe algum motivo, ninguém descobriu ainda.
Não é bom precisar ser amado. Isso é um sentimento ruim, produto de coisas mal resolvidas. Quem tem sempre essa necessidade absurda de ter alguém que o ame precisa de ajuda psicológica. Para que possa entender melhor a vida e seus amores. Para saber, como disse Schopenhauer, que o amor é uma coisa importantíssima para a vida, mas ele não tem toda essa relação com a felicidade que muitas vezes pensamos. Aí, Tom Jobim, talvez seja possível ser feliz sozinho!
Eu sei, é difícil. No nosso padrão de vida e de relacionamentos judaico-cristão-ocidental-capitalista é muito bom ter alguém, ser o parzinho de alguma pessoa. Ter um outro que goste da gente, que nos dê atenção. O mundo ocidental é o exterior, voltado ao objeto. Por isso valorizamos tanto o outro. Enquanto isso, do lado oriental do planeta se valoriza o interior, é um mundo voltado ao sujeito, ou seja, a nós mesmo. E essa transição não é fácil. É como sair da cama em um dia frio de inverno. Você sabe que tem que sair, mas o status quo é muito confortável.
Então por isso que é preciso evoluir, dar um passo adiante. Perceber que ser amado é uma conseqüência da vida e das relações que nos pretendemos, e não uma condição para ser feliz ou para estar com alguém. Eu sei, parece complicado e até mesmo triste. Estar com alguém que não te ama. Mas quem ama, ama por amar, não para ser amado. O amor não é uma lojinha de conveniências onde você faz uma troca de sentimentos, passa no caixa e pronto. “Amor com amor não se paga”, diria Drummond.
Por isso que quando duas pessoas se amam de verdade o impossível acontece. Essa é a relação correta. Talvez o certo fosse primeiro a gente aprender a amar bastante, e depois se encontrar, viver junto, e trocar amores entre os dois. As coisas seriam mais simples. E olha, moça triste, às vezes a gente pode até não ter alguém que nos ame daquela maneira que gostaríamos, mas o mais importante, mesmo, é nunca faltar alguém para amar.
Falando assim até me veio aquela velha música do Jefferson Airplane, que canta assim “don’t you need somebody to love?” Vamos lá, vamos tirar o pé da cama nesse inverno de corações!
Um avião cai no Irã. Um homem é atropelado por uma kombi na avenida. O trânsito está engarrafado. O dia amanhece cinza. Suspeito que eu seja o cara mais feliz do mundo neste momento. Ontem comprei um aparelho pra pressão arterial. Hoje, em respeito às minhas tradições venezianas, farei Tiramisu.
e ele decidiu mudar o dia
e mudou o mundo
