O ano de 2007 chega a sua metade como um dos mais agitados na já prolífera cena literária local. A cidade, que foi palco de autores memoráveis como Tibúrcio de Freitas, Marcos Konder Reis e Bento Nascimento, experimenta desde o final do ano um novo momento. Após o boom de publicações surgidas a partir de 2000 – grande parte em função da Lei de Incentivo à Cultura – a cidade começa a colher os frutos oriundos do trabalho e da produção deste novo grupo de autores.

 

Itajaí combina hoje o amadurecimento de alguns escritores recentes já publicados – como André Pinheiro, Leandro de Maman, Samuel Congo da Costa e Rômulo Mafra – com o surgimento de novos talentos nas letras locais – entre eles Hélio Jorge Cordeiro, Sebastião Oliveira, Enzo Potel, Deborah Lins de Barros, Daniel dos Santos e Rafaelo Adriano.

O cenário está longe de ser uma tsunami cultural, mas estes escritores e seus grupos já estão criando novos espaços para a literatura itajaiense. Um deles é o caderno literário CLAP, que chega este mês a sua sétima edição. O projeto reuniu entre seus colaboradores representantes do Movimento Rústico e do Grupo de Escritores Tibúrcio de Freitas. A iniciativa, além de dar vazão à produção destes grupos, também tem servido para apresentar novos escritores ao cenário literário peixeiro. Desde dezembro, quando o caderno debutou, três dezenas de autores locais já passaram pelas suas páginas, publicando contos, crônicas, poesia, resenhas e ensaios. Funcionando na forma de uma cooperativa de produção de textos, o CLAP é custeado pelos autores que o publicam a cada mês. O caderno não conta com patrocínios e tampouco se beneficia de recursos públicos.

Os mesmos grupos que se encontram para promover o CLAP ainda realizam a cada duas semanas o Sarau Benedito, encontro festivo para reverenciar a poesia e a prosa, que acontece nas segundas-feiras no Aldeia Bistrot. O sarau já caminha para a décima-terceira edição e por ele já passaram aproximadamente 500 escritores, poetas ou – simplesmente – amantes da literatura. Além do caderno e do sarau, o coletivo de escritores deu início neste mês que passou a uma série de debates sobre a produção literária local. O primeiro destes eventos aconteceu em junho na Casa Aberta e tratou do panorama da poesia na cidade, desde sua produção até sua publicação.

Na mesma linha do CLAP, já avança a passos largos o caderno literário Estilingue. Capitaneado pelo poeta militante Samuel Congo da Costa – autor de Horizonte Vermelho – o caderno distribui pedradas literárias pela cidade, dando vez e voz a alguns poetas do circuito alternativo regional. À margem do mainstream, o Estilingue também é publicado no melhor estilo “Editora No Peito e Na Raça”, custeado muitas vezes pelos próprios escritores.

Assim, aos trancos e solavancos, este novo panorama da literatura local vai se desenhando. Imperfeito, mas teimoso. Muitas vezes ainda procurando uma identidade e sem muita certeza de onde todo esse empenho vai dar. Entre muitos dos autores há um consenso de que, neste momento, é preciso tirar qualidade da quantidade, enquanto se experimenta ao máximo. Ao mesmo tempo se perguntam se a cidade está pronta para consumir tanta letrinha ou se o terreno ainda está em franco desbravamento. Talvez o melhor a fazer seja manter o ritmo e aguardar um segundo semestre tão frutífero quanto este primeiro. Apesar dos pesares e de alguma torcida contra, uma nova cena local está sendo construída. As letras agradecem.

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