Entre as infinitas
maravilhas da vida
a que eu mais admiro
é essa capacidade
que nós cultivamos
em nosso íntimo
mais íntimo
de encontrar
ou reencontrar
ou desencontrar
milhares de pessoas
em milhares de lugares
por milhares de vezes
para nunca mais

O que me surpreende
é aquele olhar perdido
entre a moça que vai no ônibus
e o rapaz que fica no ponto

Aquele interesse fugaz
entre dois olhares
que se perdem
assim que fecha
a porta do elevador

O adeus derradeiro
acenado por alguém
triste que vai
para alguém
triste que fica
na plataforma de um trem
que partiu sem avisar
para a capital do país

O adeus de alguém
a quem nem ao menos
se conhecia
mas que por um instante
pareceu um adeus
pessoal e antigo

Ah, essa nossa mania
de colecionar estranhos em despedida

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