Para ler ouvindo Because the night (10000 Maniacs)

Ele queria mesmo era conhecer Samarcanda. Era um nome que não saía da cabeça. Sa-mar-can-da. Achava lindo. Nem enquanto perdia tempo limpando o convés do NS Smith em alguma parada entre Durban e Zanzibar deixava de imaginar a cidade, suas ruas, o céu salpicado daquelas nuvens outonais e os cabritos se demorando nas trilhas que levariam às montanhas que ele mal sabia se de fato existiam por lá. Samarcanda teria nas praças meninos vendedores de frutas exóticas e pessoas se esbarrando para dançar aquela dança típica de nome impronunciável para um ocidental médio. Lá as tardes seriam breves e o crepúsculos haveriam de se estender de maneira incomum.  Tudo lembraria infância e saudade. E as noites teriam o tempo de uma vida inteira. Samarcanda ficaria na memória como a imagem em preto e branco de Natalie Merchant com uma Leica M nas mãos tentanto fotografar o mundo. Bela e perdida no passado.

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