O poeta estadunidense Walt Whitman perguntou uma vez, “o relógio marca as horas, mas o que marca a eternidade?” A questão que foi feita lá pela metade do século XIX parecia um presságio sobre o destino dessa máquina de marcar o tempo. Há um fato: o relógio está em vias de extinção. Ao menos o relógio desta forma como o conhecemos, pendurado ao pulso. Pois o apego da espécie humana pelos números, pelas cifras e horas ainda parece garantir ao bom e velho relógio uma sobrevida que deve teimar em ser eterna.

 

Cientistas acreditam que caminharemos para um híbrido que reúna as funções de um relógio, telefone, pendrive e walkman. Tudo ligado e interligado em um só aparelho cuja localização ninguém ainda ousa apontar. Se estará no pulso, no tornozelo, no pescoço, junto ao ouvido, ou até mesmo dentro da boca a exemplo de alguns walkmans japoneses, só nossos mais inventivos projetistas saberão informar. O fato é que o aparelho existirá em breve e não será absurdo se em seu chip principal armazenarmos também nossos dados de identidade bem como números e autorizações referentes à cartões de débito e crédito.

 

O velho relógio de pulso tende a se tornar um simples item de adorno, um elemento meramente estético em meio às roupas e demais adereços. Ou será que alguém, nessa cada vez mais prática vida que levamos, vai se dar ao luxo de carregar peso por pura pirraça ou resistência tecnológica?

 

Será mais um salto na história deste aparelho que começou marcando o movimento do sol e desde então assumiu as mais diversas facetas, sempre causando fascínio no homo modernus. Antes da digitalização o relógio já contou a areia que fugia como o tempo nas ampulhetas, já funcionou na base da água, do vapor, de elementos químicos. Já experimentou a perfeição em oficinas encravadas no pé dos Alpes. Já foi até as profundezas do mar. Já viajou pelo espaço em foguetes supersônicos.

 

É claro, restarão sempre aqueles que tem apelo turístico, como é o caso do Big Ben, em Londres, e da Times Square, em Nova Iorque. Deixa o relógio lá, as pessoas gostam de perder tempo olhando tempo. Mas o velho relógio de pulso, aquele que Santos Dumont teria encomendado a Cartier e teria se popularizado em escala planetária, esse já era!

 

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