passei o resto da tarde
a contar cada estranheza
dessa aventura incorreta
que é ter gosto por ti

à parte a tua ausência
tua distância matemática
a vida é sempre uma espera
e viver é demorar-se
nas incertezas
na estrada
nos saguões de um aeroporto
nas fronteiras que desconheço
na divisa do teu corpo
vigiado por mil batalhões

te quero assim
imperfeita
te quero longe e ausente
te quero saudade pousada
de leve no peito aflito
nessa manhã demorada
à espera do correio
que não chega
e se chega
é nada

à espreita de notícias tuas
de convites
de beijos na rua
na chuva torrencial
nos apartamentos anônimos
dos hotéis da capital

que os deuses me livrem
da mulher perfeita
da bandeira perfeita
e do verso perfeito

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