a noite quente se desmancha

é sexta-feira

de um mês de abril

 

tentei te escrever um poema

pensei em telefonar

te convidar pra sair

até a chuva chegar

na próxima frente fria

que torrencial se avizinha

sobre os morros da cidade

carregando um frio polar

 

pra dentro de minha casa

(entrando pela janela lateral

percorrendo o corredor – o frio pára

e contempla os quadros – se demorando

mas seguindo o caminho

até o quarto onde estou

e tu não estás)

 

pra dentro de meu peito

(entrando pelas narinas

o ar frio percorre

as curvas dos pulmões

entra no sangue rubro

vaga perdido pelas artérias

até chegar ao coração

– destino que pulsa

intermitente)

 

é sexta-feira:

me subtrai versos

a noite quente

 

e a meteorologia não previu o temporal

que tua fresca boca rosada soprou

sobre o meu coração outonal

Anúncios