Está decidido: o colarinho é parte do chopp. Quem decidiu foi a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A pendenga foi parar na justiça depois que um restaurante em Blumenau/SC – só podia, mesmo – foi multado pelo Inmetro por incluir o colarinho no volume total do produto e cobrar por isso.

 

Ora, sem querer parecer bebum, convém explicar aos laboriosos fiscais do Inmetro a importância do colarinho ou, como preferem alguns, do “creme” do chopp. De acordo com os bebedores de plantão, o colarinho de espuma é responsável por reter gás por mais tempo, por conservar o sabor e o aroma do chopp, além de manter a temperatura do líquido precioso. Reza a lenda que o colarinho é a prova de que o chopp a ser emocionalmente degustado é de qualidade e foi armazenado adequadamente. Sem o colarinho o chopp perde o gás carbônico e oxida, deixando no paladar um gosto mais amargo que vice-campeonato decidido em casa.

 

O principal argumento dos anti-colarinhistas é que o colarinho toma um espaço que eventualmente seria ocupado por mais chopp. As chopperias dizem que é uma bobagem e que três dedos de espuma já é o ideal. Para não haver confusão com o tamanho do dedo, três centímetros prometem resolver o problema. Em alguns casos, onde se serve o chamado “chopp gourmet”, retirado de dois barris diferentes, há até uma torneira extra apenas para o creme.

 

Tudo bem, o colarinho do chopp sempre foi motivo de grandes discussões nas mesas de bar de nosso país varonil. Tem gente que gosta de maior, tem uns que preferem o mínimo, tem até aqueles que se divertem com o bigode branco que a espuma do chopp proporciona. É claro, mesa de bar não é um lugar propriamente sério. Em um fórum de discussão na internet encontrei uma pérola: “chopp sem colarinho é como uma mulher mal vestida”. Tá bom.

 

Sempre lembro de um amigo que discutia muito sobre o colarinho. Era exigente ao extremo. Tinha que ser do jeito que ele queria. O verdadeiro terror dos garçons. Mas era só até o quinto chopp. Dali em diante nada mais importava, nem colarinho, nem fabricante, nem temperatura. Era só a comoção de ver o líquido descendo de mansinho a garganta sedenta.  

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