Como são belas as crianças! Está aí um tema sempre presente na história da humanidade. As crianças do meu Brasil. Tem gente que gosta, tem gente que odeia. Há até aqueles que adoram as crianças acima de tudo. Gandhi e Michael Jackson, só pra citar dois exemplos. Gostavam de dormir com infantes na cama. Boas vibrações, diziam eles, uma energia especial, tenra, fora do comum, talvez.

É um fato: todos já foram criança um dia. Alguns ainda não passaram dessa fase – não falo daqueles entre 1 e 12 anos. As crianças eternas! Há inclusive uma empresa estadunidense chamada Perpetual Kids que se especializou em fabricar coisas para aquelas pessoas que guardarão para sempre um moleque dentro do peito. É a mais variada sorte de quinquilharias que se possa imaginar e que estão disponíveis por poucos dólares. Band-aids em forma de bacon, colheres em formas de aviãozinho, canecas, relógios, tapetes…Criança não tem limite. A saudade dessa fase também não.

Já dizia Casimiro de Abreu: “Ah, que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais”. Pois parece que poeta é um bicho saudoso pacas. O Marcos Konder Reis tem também na infância um de seus maiores poemas, onde tristonho, talvez olhando o mar se debruçando ali na praia da Armação pergunta enfim aquilo para o que talvez nem resposta haja: “de que vale a infância, se a perdemos?”

Deixando a poesia de lado, criança é um assunto fácil em qualquer roda de bate papo. Você sempre tem um primo, um irmãozinho, o filho sapeca do vizinho da frente. Algum serzinho a quem tenha uma história a atribuir, uma reclamação a fazer. Criança é presença sempre garantida em festinhas de final de semana, matinês de carnaval, jogo de futebol e circo, em suma, qualquer lugar onde haja brigadeiro ou gelatina em copinho plástico. E mais, criança é um aparelho que vem desprovido de senso de conveniência mas, em compensação, vem com o ponteiro da honestidade afiado. Quer uma prova? Por que as mulheres nunca perguntam para as crianças se estão bonitas, se a blusinha verde escura vestiu bem, se estão gordas? Entenderam, né? Criança diz na lata.

Sim, porque os pequerruchos também têm um lado meio carregado. Dia desses fui buscar meu filhote na escola e, como um bom pai, me posicionei de frente para o crime, postado em pé e em linha direta com a porta da sala de aula. Cinco e meia. Toca a sirene. A porta se abre. Valha-me Nossa Senhora! Só quem já presenciou um soar de sino de escola sabe do que eu falo. É a visão mais próxima que tenho da Barbárie da qual escrevem pensadores socialistas. O ser em seu estado primitivo. Pra não falar de inferno, porque o diabo não merece.

É criança correndo de um lado para o outro, sem chegar a lugar nenhum e sem explicação. Um batendo no outro. Bolas, roupas e mochilas voando. Tropeçares mútuos em pés alternados. Um puxão de cabelo aqui, um tabefe acolá. Gritos, gritos. Chamam por nomes, contam histórias, apenas berram. É a ânsia da vida nascendo diariamente através da criança. E como a vida faz barulho. Talvez seja o excesso. Tudo o que é demais causa espanto. No fundo parece um campo de batalha. Uma guerra particular em miniatura. Olho para os lados atônitos. Meu filho não é diferente. Vem pulando aos brados. Tenho a impressão de que é a bolsa de valores de Liliput, ali se descortinando sob meus olhos incrédulos.

Como são infernais as crianças!

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