É tarde. A noite serenou e meu filho já dorme quieto. Fez-se a hora das revoluções. Enquanto o demônio me atenta contemplo sozinho o cálice de vinho do Porto. Imagino batalhas. Avanço sobre esquinas por entre barricadas. Levanto uma bandeira rubra como o sangue. Inspiro multidões. Com olhos mareados, discurso palavras de esperança entre velhos e crianças. Me armo de idéias e punhais, ambos afiados. Organizo as fileiras, repasso as instruções. Dou o sinal, a senha para a luta armada. E quando está tudo pronto para o levante, me vejo sentado na sala entre o vinho do Porto e a revolução. O diabo é que sempre tem um vinho do Porto.

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