O Parque Lezama é um lugar de começos. No alto da colina que abriga o parque foi fundada a cidade de Buenos Aires. É ali também que Ernesto Sabato marca o início de um dos mais belos romances já escritos na América Latina. Cansado de vagar pelas ruelas de San Telmo, atrás de uma gravata borboleta, deito no gramado do parque em uma tarde de fevereiro. À minha frente uma mulher sorri e me beija. É carnaval no Brasil.

Aqui uma criança aprende a andar de bicicleta, um grupo de estudantes em algazarra se dirige ao museu, babás passeiam com carrinhos buscando as sombras de árvores imemoriais, dois senhores conversam perto da escadaria, falam sobre futebol. Os parques da cidade talvez sejam como os parques de Londres, de São Paulo ou Nova Iorque. Há um código secreto por detrás de todos os parques do mundo. Um parque é uma entidade a quem recorrer quando você quer se sentir em casa.

Por entre as árvores busco pássaros desconhecidos contra um céu azul. Há um som desconhecido entre os galhos que tento capturar para mim. Percorro canto a canto, avisto alguns prédios em Boca, janelas sujas, fios de eletricidade. A certa distância tudo parece plácido e, por decorrência, envolto em beleza. Que dúvida, é Buenos Aires!

Ainda deitado na grama, com aquela vontade de virar parque e ficar ali feito árvore ou pedra ou musgo para sempre olho para a minha mulher. Podia ser Alejandra. Eu mesmo sou um sabatiano vivendo uma vida sabática. Sorrio para o parque, coração de um povo. É carnaval. É hora de me despedir.

 

 

 

Anúncios