Antes de embarcarmos alguém comentou que não podíamos deixar de tomar sorvete em Buenos Aires, com recomendações expressas sobre o sorvete de limão e os diversos sabores de doce de leite. Achei graça porque o assunto reverberou em alguns guias e revistas que levamos para orientar minimamente a viagem, de modo que comecei a dar certa importância para o fato.

Diz a lenda que corredores romanos traziam neve do Monte Etna até Roma para que os glutões latinos pudessem comer sorvete na antiguidade. Já li por aí que o sorvete foi inventado na China, mas naquele momento, enquanto folheava as revistas, eu só pensava em como os argentinos trariam neve dos Andes se a civilização ocidental ali tivesse chegado naquele tempo. Arrisquei até algumas variedades: sorvete do Aconcágua, super gelado, sorvete do Fitz Roy, esse mais derretidinho devido a distância, por supuesto.

O fato é que com um calor razoável naquele fevereiro ensolarado pareceu um bom negócio tomar um sorvete no parque. Perdido entre os sabores, atendi ao pedido do amigo, pedi um sorvete de limão e outro de doce de leite. E olha que escolher sorvete de doce de leite na Argentina não é fácil. São ao menos quatro tipos, que vão de granizado ao nevado, saiba lá o que isso possa significar. Todos deliciosos.

Tudo bem, eu não conheço muitos países e nem tomei sorvete nos poucos que conheço, uma constatação triste, mas entre aqueles que experimentei, sem dúvida alguma, o sorvete argentino é o melhor do mundo. Ao menos do mundo que conheço.

Pode esquecer o alfajor, as empanadas, os vinhos e o churrasco.  A verdadeira alma argentina está tomando um sorvete, sentada no gramado do parque da Recoleta.

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