Paul canta Here Today e penso que sociólogos devem debater à exaustão as facilidades dos dias atuais e talvez até mesmo concordem com o fato de que as inovações tecnológicas trouxeram consigo mais tempo e condições para as pessoas fazerem aquilo que realmente gostam, ao invés de apenas trabalhar e trabalhar e trabalhar.

Hoje tudo é mais fácil, as informações estão sempre por perto, às vezes até em demasia e sem convite. Você telefona direto para o celular e fala logo o que tem pra falar. Não tem mais essa de ligar para a casa do sujeito, deixar um recado e esperar até que ele lhe retorne no final do dia, isso se você estiver em casa quando ele ligar.

Antigamente a gente levava tempo pra ter notícias de alguém. As famílias se encontravam e tinham do que falar, diferente da apatia das reuniões familiares de hoje em dia, cada vez mais introspectivas e repletas de longos silêncios. Sempre tinha uma novidade de algum parente distante que havia feito dinheiro na capital, a morte de uma tia velha, o casamento contrariado de um primo descuidado. As famílias eram mais interessantes.

E as pessoas ainda perguntavam sobre as outras, na época onde até a curiosidade era sincera e sem interesses. Expressões como “por onde anda Juvenal?” ou “que fim levou o tio Teté?” eram um convite para, no mínimo, meia hora de bate-papo animado, muitas surpresas e outras tantas revelações impressionantes.

Como era sofrida e longa a solidão depois de um final de namoro, quando a espera por notícias dava espaço a um mundo de suposições salpicadas de esperanças. Será que ela ainda pensa em mim? Disseram que o viram chorando. Ele tem procurado os amigos pra desabafar. Ouvi dizer que ela já tem outro.

Na era do facebook isso já faz parte da memória. Descritos como em um cardápio, lá estão nossos perfis e cada passo que damos. Podemos ser seguidos, acompanhados, vigiados. E ninguém mais precisa ficar ansioso à espera de notícia de alguém. Lá estão as provas de que ela se recuperou do baque da separação, que ele já voltou a sair com os amigos, que os dois já estão, enfim, felizes. Que alívio!

Acabou a esperança e a ilusão.

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