Foi lá no final da década de noventa quando ouvi falar pela primeira vez na teoria dos Seis Graus de Separação. Aquela viagem, no sentido não-geográfico, de que entre todos os seres pensantes deste planeta haveria apenas seis laços de amizade. Ou seja, entre você e Julian Assange – ou entre você e o Papa Francisco – haveria apenas poucos amigos em comum. E assim, um conhecendo o outro, e o outro conhecendo o outro, bingo, todos teriam acesso a todos. Parece besteira, mas foi essa teoria que embalou a criação das redes sociais, dando origem ao Orkut (que Jah o tenha), Facebook e Twitter, só pra ter uma ideia do estrago.

Pra ficar mais claro, peguemos o exemplo a presidenta Dilma Rousseff, que na efervescente Belo Horizonte dos anos sessenta foi amiga de juventude de todo Clube da Esquina e, por decorrência, de Milton Nascimento. Dilma tanto fez que foi até citada repetidas vezes no livro Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, de Márcio Borges.

Ora, Milton era amicíssimo do ator americano River Phoenix, e tinha uma história muito louca de encontros e desencontros com ele. Os dois se admiravam mutuamente, sem saber. Chegaram ao ponto de estar no mesmo hotel em Nova Iorque, Milton assistindo a um filme de Phoenix, que ouvia uma música de Milton, no mesmo dia, porém sem se encontrarem. Depois o destino deu aquele famoso jeitinho e, alguns anos mais tarde, os dois finalmente se conheceram. Bituca escreveu a canção Carta a um Jovem Ator em sua homenagem e de quebra trouxe o rapaz para conhecer Três Pontas de Minas, sua terra natal. O resto da história é conhecida. Passou mais um tempo e River Phoenix morreu tragicamente, deixando a todos consternados, mas principalmente a Keanu Reeves. Sim, o libanês mais célebre depois de Gibran Kalil Gibran. Mas onde é que Reeves entra nessa história?

Pois então, ele era muito amigo de River Phoenix, mas muito amigo mesmo. Os dois eram unha e carne. Foram célebres as declarações de Reeves após a morte do amigo-irmão. Pesquisem na internet, crianças. E aí fechamos nossa rede de relacionamentos sem nem mesmo precisar dos seis graus de separação. No caso de Dilma e do Neo do Matrix, só havia duas pessoas, Milton e Phoenix. Cito esse exemplo porque são figuras bem conhecidas e aparentemente bastante diferentes. E é fácil para qualquer um checar a veracidade destas relações.

E então chegamos no velho Bucowski que dizia “Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse?”. Sim, bebê, tem muita gente lá fora que você adoraria conhecer. Amigos, amantes, parceiros nos projetos. Gente que pode te ajudar a ser feliz, ou milionário, ou feliz e milionário. Gente que pode te ensinar muito e aprender outras tantas coisas contigo. Parece estranho e amedrontador, não é? Mas quer saber do melhor disso tudo? Entre você e essa pessoa existem, no máximo, mas no máximo mesmo, contando assim por cima, uma seis pessoas. Então, mexa-se!

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