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Dentre os muitos tipo de amor, existe um especial ainda não descrito pela psicologia contemporânea: o amor pelo Botafogo.

Esta sorte singular de sentimento merece um estudo mais analítico, porque não é amor de mãe, nem amor platônico ou proibido. Talvez um amor bandido…talvez.

Alguém há de procurar no Gênesis, em alguma entrelinha perdida, o momento em que Deus criou esse amor sem medida e disse então ao homem: “Vai, agora segue a tua estrela”.

Durante muitos anos tentei localizar o amor pelo Botafogo em algum espaço nebuloso entre aquela paixão louca juvenil e o amor paterno, cheio de cuidados e carinhos perpétuos:

O primeiro por causa da forma doentia, das promessas de prazer e loucura que só uma paixão arrebatadora e pueril pode oferecer. O segundo porque é, talvez, o mais puro dos amores, aquele que ama um filho sem pedir nada em troca, sem retribuição ou compensações, aceitando até mesmo dividir o objeto de seu amor com outros. Um amor de gratuidade, que acresce e multiplica.

Mas o amor pelo glorioso é diferente disso tudo. O sentimento pelo Botafogo é algo divinal. É um amor de devoção. Uma ideologia mítica de origem obscura, um tipo de encantamento livre de questões temporais e imune às condições meteorológicas.

Quando se ama o Botafogo se ama com uma mistura esquizofrênica de cabeça e coração, de choro e riso, de susto e êxtase. Explosão de sentidos em uma supernova solitária e bela.

Um amor que arrepia, entorpece, cega, enlouquece. Se mata, não sei. Mas se assim for, quero, sim senhor, morrer de amor pelo Botafogo.

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