Se de um lado falta Suárez, de outro não há Falcão. Que jogaço seria com os dois em campo. Mas futebol é assim. Azar do jogo. Qual jogador não queria disputar uma oitava no Maracanã? É possível que nesse momento em algum canto da Colômbia e do Uruguai eles estejam em frente ao televisor. Olhar distante, procurando seu lugar naquele campo que está tão longe agora. Pensando na jogada, imaginando o passe, a perna instintivamente chutando o vazio para finalizar aquela bola que teima em não entrar.

No jogo das ausências o Uruguai sofre mais. A despedida é recente. Talvez os colombianos já estejam acostumados com a falta de seu maior craque. Já tenham descoberto um jeito novo de jogar, de preencher aquele espaço para onde todos olham e não o encontram. Para os orientais tudo é mais difícil. A separação foi traumática, ficou aquela sensação de revolta por uma situação forçada e, talvez, injusta.

Aparte as ausências, o Uruguai é mais tradição, a Colômbia mais time. De um lado um bicampeão mundial que sofreu muito pra chegar à copa, de outro uma eterna promessa que tenta avançar pela primeira vez às quartas de final, com uma primeira fase invicta e impecável. A Celeste pegou um grupo mais cascudo, como se diz no futebol, é verdade. Mas a Colômbia toca mais a bola, levanta a cabeça, joga pra frente e tem seus méritos.

No duelo sul-americano do Maracanã o Uruguai é notoriamente mais “suarezdependente” que a Colômbia “falcãodependente”. E depois, a Colômbia tem James Rodriguez, o artilheiro da copa com apenas 22 anos. É dele o primeiro gol do jogo. E o segundo também. Rodriguez traz para o certame outra ausência notória no time uruguaio. O futebol elevado à categoria de arte. Seu primeiro tento é uma pintura. Mata no peito de costas para a meta, gira e acerta sem deixar a bola tocar o chão. Antes de encontrar a rede a brazuca ainda toca o travessão por capricho ou pura plástica. O segundo gol é mais eficiente do que bonito. Mas é gol. Joga um balde de água fria na celeste, que já não tem o domínio do jogo.

O Uruguai tenta uma reação durante todo o segundo tempo, mas parece que sempre falta alguma coisa. Falta alguém. Falta Suárez. Quando chega à área amarela o goleiro colombiano está lá. Ele não falta nunca. Defende uma, rebate outra.

É difícil lutar contra a arte, Uruguai. O apito marca o final do jogo. Rodriguez sai do banco e enfim suspira, segura o choro. Olha para sua pintura amarelo vivo. Qual artista não se emocionaria com uma beleza dessas? Colômbia, um Van Gogh dos campos com as mesmas pinceladas rápidas e vibrantes. Um time à altura das quartas de final, tão esperadas e agora, tão merecidas.

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