Sempre que o futebol chega a uma encruzilhada tática onde a bola não entra mais, quando o jogo fica travado e a não se vê mais jogadas bonitas, algum engraçadinho sai com uma ideia maluca para agitar um pouco mais a partida. Colocar duas bolas em jogo, inclinar o ângulo do campo ou até mesmo jogar com quatro traves. Tudo isso talvez devesse ser considerado para o jogo de hoje entre Costa Rica e Grécia, pelas oitavas de final da Copa. Ou alguém mais tem outra ideia do que fazer quando o mais emocionante em um jogo é a estranheza dos nomes gregos, ou um cartão amarelo para alguém que está no banco de reservas?

O primeiro tempo foi de chorar em grego. Bola aqui, bola lá. A Grécia se defendendo de maneira competente, como se guardasse com a vida o desfiladeiro de Termópilas. Nenhuma grande jogada ou drible desconcertante que merecesse comentário. Nem o gol de Ruiz, chorado, lento, quase envergonhado, como o jogo, salvou a partida. Lá pelas tantas expulsaram um dos zagueiros costarriquenhos e a Grécia conseguiu, enfim, respirar um pouco. 

Era o jogo mais chato da Copa. A torcida pernambucana já sentia que o frevo estava a meio tom quando…espera aí, amigo, essa é a Copa das Copas! É a Copa das goleadas, das viradas surpreendentes, dos gols marcados nos últimos minutos, quando metade do estádio já está descendo a rampa e pensando onde é a entrada do metrô. Esse é o zeitgeist da Copa 2014! E é claro que não ia ficar assim nessa chatice. Ainda mais com a Grécia, que já havia arrancado a classificação à fórceps, nos descontos, com a conversão de um derradeiro pênalti.

Apesar de ser um país em crise, com um futebol em crise, a Grécia foi lá fazer o gol. Gekas chutou, Navas rebateu e Sokratis Papastathopoulos colocou na rede levando os gregos à loucura. Bom, então veio a prorrogação, com a Costa Rica com um jogador a menos. Tudo o que os gregos queriam. A partir daí o jogo até deu uma esquentada. Esquentou tanto que o técnico da Grécia acabou expulso e a partida terminou nos pênaltis. Com cinco cobranças perfeitas a Costa Rica garantiu a vaga.

O jogo valeu. Não foi aquela maravilha que se espera de um jogo de Copa, porém teve lá suas surpresas. Mas pensar que o vencedor desse jogo pega os Países Baixos na próxima fase, é de dar dó.

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