Benzema tem todo o direito de se recusar a cantar o hino Francês, que melodicamente é lindo, mas textualmente tem lá seus toques agressivos e xenófobos. Benzema tem ascendência argelina, um dos “sangues impuros” como canta o hino. Tem razão em fazer cara feia. Aliás, Benzema, pelo que vem jogando, tem direito a fazer o que quiser. Está dando pinta de ser o grande jogador da grande seleção favorita a vencer sua segunda Copa neste ano.

A França vem, desde a primeira fase, colecionando vitórias sólidas e convincentes. Imagine se Ribéry estivesse em terras brasileiras. Ou não imagine, talvez fosse diferente. Talvez Pogba não jogasse tanto à frente, talvez Valbuena não disparasse tanto pela intermediária, talvez, talvez…

Os bleu golearam Suíça e Honduras. Empataram em um jogo com um Equador em desespero, onde a classificação francesa já estava garantida e o técnico resolveu segurar o jogo sem maiores incidentes. Ontem, contra a Nigéria, que deu um sufoco na Argentina, a França ganhou por dois gols a zero, mostrando mais uma vez um futebol bonito, ofensivo e eficiente.

A França finaliza em média 19 vezes por partida. O maior número de finalizações entre as seleções da Copa. Ganha de longe dos Países Baixos, Alemanha e Colômbia, por exemplo. Como chuta mais, chega mais ao gol, agita, inflama a torcida. É o tipo de seleção que merece ser campeã. Aquele time que joga pra frente, que chama o jogo. Aqui o Parreira não teria vez.

 Já a Nigéria até fez o que pode. Os africanos vinham mostrando um futebol que melhorava a cada partida, avançando visivelmente em alguns aspectos táticos. É uma seleção forte, ainda que com aquela desorganização típica do futebol africano. Sem falar na correria. Musa e Onazi foram grandes surpresas da Copa, ao menos para mim. Outro foi o goleiro Enyeama, talvez o melhor arqueiro deste campeonato. Se não fosse por ele, a Nigéria teria voltado pra casa na primeira fase, com um saldo negativo recorde. O azar foi pegar a França, esse time redondinho, com muita bola para mostrar, sob a batuta do sagaz Didier Deschamps.

Ganhar do campeão é sempre mais difícil. E, acreditem, a França é favorita.

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