A seleção Argentina vai chegando aos poucos, começando a tomar jeito de campeã. Os vizinhos não ganham um campeonato desde 1986. É um jejum maior do que o brasileiro de 1970 a 1994. Estão, evidentemente, com fome de título. Mostraram isso em Brasília, no jogo contra a Bélgica que, apesar do futebol bonito, caiu diante da primeira seleção tradicional que enfrentou. Os argentinos estão na semifinal e agora esperam o vencedor de Costa Rica e Países Baixos.

O que chama a atenção é uma situação muito parecida com aquela da seleção brasileira campeã em 1994. Uma seleção onde o empate não era um mau resultado. Frase que resumiu a essência do parreirismo e agora parece tomar de assalto o futebol guerreiro e forte da Argentina. O que se vê ultimamente é aquele futebol-suficiente em oposição ao futebol-total. E chamam isso de futebol de resultado. O que conta é o placar final, os pontos ganhos quando o campeonato chega ao fim e se contam os quadradinhos da tabela. Se jogou bonito ou não, tanto faz.

Mesmo com Messi, a Argentina apresentou hoje esse futebol. Feio, chato e sem grandes lances. Aliás, a Bélgica foi a primeira seleção “grande” que os argentinos pegaram pela frente e até agora eles não conseguiram apresentar um futebol que encantasse até o mais fanático e cego torcedor argentino. Eles fingem que não, mas no fundo sabem disso. Se ganharem será nos trancos, nos últimos minutos, sob pressão constante.

Se for assim será uma pena porque muito da magia das Copas se faz principalmente pela beleza, criatividade e inovação das seleções. A Copa da África do Sul será sempre lembrada pelo Tic-tac espanhol, assim como a Copa da Alemanha de 74 será sempre lembrada pelo Carrossel Holandês, que nem mesmo campeão foi. A última Copa na Itália foi a copa dos líberos. A nossa Copa pode ser a da imprevisível Costa Rica, mas poderia ser lembrada pelas inovações táticas do Chile, se o selecionado fosse mais longe na competição. Ainda pode ser a Copa da genialidade dos neerlandeses, candidatos ao título, ou pela geração de ouro da seleção alemã.

Mas, aparte o título, não vejo esta seleção argentina como algo diferente ou digno de nota. Exceto se Lionel Messi pegar a bola nos dois últimos jogos e fizer miséria. Se ficar nesse parreirismo pode até ser campeão, mas não vai deixar saudade nenhuma. Um descompasso com a beleza e com o clima festivo dessa Copa.

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