as folhas se multiplicam
é outono
você diz

eu sozinho
olhando a grandeza
do campo aberto

eu sem limites
me misturo às folhas
eu sem limites
entrelaço o capinzal
com meus braços
meus cabelos
minhas veias
sem limites me enverdeço

de um verde pardo
de um verde parco
do verde palha do arrozal

me curvo como o outono
como o ocaso dos dias
como um engano
como um salgueiro que assente
solitário no outeiro

eu olhando aquela linha tênue
do horizonte esverdeado
me curvo
como em oração
eu que nem sei rezar
do verde faço
minha religião

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