Por que você escreve?
Para terapia. Para esquecer. Talvez para organizar o mundo. Alguns autores defendem que a retórica e a literatura são formas que criamos para organizar nossas idéias e concepções. Talvez seja pra isso. Não vejo outro motivo. Particularmente não escrevo pra convencer ninguém, não tenho textos ideológicos e tampouco busco seguidores ou leitores fiéis.
Não pensa em publicar?
Livro não. Essa foi uma decisão que tomei. Hoje em dia temos tantas formas de publicações on line, há tantas maneiras de chegar às pessoas que não vejo mais porque gastar papel à toa. Depois, a qualidade das publicações anda tão ruim que acho que sempre passa pela cabeça do autor fazer um exame de consciência antes de publicar pra ver se não está contribuindo para esse imenso lixão, esse aterro literário no qual se transformou o mercado editorial.
Você foi um dos criadores do CLAP. Como foi a experiência?
O CLAP foi um caderno literário importante que criamos há alguns anos em Itajaí. Na época surgiu como uma idéia do Rômulo Mafra, Cristiano Moreira, Daniel dos Santos, Sebastião Oliveira e Rafaelo de Góes. André Pinheiro e eu aparecemos mais tarde. Acho que fui o último convidado a entrar no grupo. Depois o Cristiano e o Daniel acabaram por se desligar informalmente do CLAP, a Déborah de Barros entrou. Passamos por mais algumas reformulações. No final do ano passado Déborah e eu optamos por sair do grupo também e agora ele deve ressurgir com uma nova turma. Eu defendo o CLAP porque ele representa um amadurecimento muito grande de um grupo de escritores locais. O CLAP nesses anos publicou diversos textos, apresentou vários autores novos, que nunca haviam sido publicados, além de dialogar com grupos de escritores do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Curitiba, Mato Grosso do Sul, entre outros. O pessoal do CLAP fez um trabalho que foi reconhecido com matéria na Gazeta Mercantil, na revista Entrelivros, só pra citar alguns exemplos. O caderno literário surge também em uma época que Itajaí já possui um contingente considerável de autores publicados, fruto da lei municipal de incentivo à cultura, que aqueceu o setor e possibilitou que esse povo todo tirasse os textos das gavetas. Então, em algum momento, o CLAP serviu pra fazer a amarração desses autores, pra criar uma cena local, publicar resenhas e fazer com que um ambiente mais dialógico fosse disponibilizado a partir de um quadro onde você tinha muitos escritores solitários soltos pela cidade que não se falavam.
Quem nasceu primeiro, o CLAP ou o Sarau Benedito?
Em tese o CLAP surgiu antes. Mas o Sarau Benedito era uma idéia que já vinha sido amadurecida desde antes. O Sarau também surgiu de maneira mais ampla, com diversos autores que não pertenciam ao CLAP, e em parcerias com o Movimento os Rústicos e o Coletivo de Escritores Pai Tibúrcio, grupos que tiveram uma vida efêmera, mas marcaram sua época por essa participação na criação do Sarau. O Sarau acabou sendo um grande ponto de encontro e um espaço nobre para a literatura local. Não é possível precisar hoje quantas pessoas já passaram pelo Sarau Benedito, declamando ou assistindo. Mas teve gente de todo o Brasil, desde o Acre até o Rio Grande do Sul. O Sarau Benedito acabou motivando outros saraus na cidade, o que também é muito gratificante. No ano passado os idealizadores do Sarau foram convidados a se apresentarem na Feira do Livro de Porto Alegre, constando na programação oficial do evento, e lá também foi uma oportunidade ímpar de mostrar pra fora do estado o que está se produzindo aqui.
Você escreve desde quando?
Desde os 17 anos. Até então eu era uma negação. Sempre gostei de ler, mas nunca de escrever. A partir daí, com a entrada no curso de jornalismo, eu comecei a pensar com mais carinho nesta opção de publicar o que escrevia. De lá pra cá não parei mais. Das crônicas aos poemas, tenho produzido relativamente bastante e boa parte do que escrevi está aqui no blog (http://felipedamo.wordpress.com) disponível, sem copyright, sem nada. Só peço que as pessoas preservem a fonte. Mas sempre digo que se alguém quiser pegar um texto meu, assinar e dar pra mulher dizendo que é uma declaração de amor, beleza. Não vou morrer por isso. A arte é superior ao artista. A arte que fala, e não o autor. Blanchot e Battaile escreveram sobre isso. Então é a arte falando, e a arte não tem esses brios, essas vaidades. A arte simplesmente acontece.
Quais autores te influenciaram mais?
Eu gosto muito do Ernesto Sábato, que escreveu O Túnel, que tenho como um dos melhores livros que li, talvez o melhor. Proust, eventualmente. Joyce e Faulkner são revolucionários. Steinbeck escreveu da maneira com a qual eu gostaria de ter escrito. É belo sem limites. Também tenho um carinho pelo Kerouac e sua turma de loucos, que ocupam um lugar de honra na minha biblioteca. Isso na prosa. Na poesia seria difícil definir nomes. O meu gostar atinge níveis de imensidão nessa área.
Você prefere escrever poesia ou crônicas?
Desconfio que minhas crônicas têm mais qualidade, embora os poemas sejam mais verdadeiros.
O amor é um tema recorrente em seus textos…
Falar de amor é sempre caminhar sobre a tênue linha da pieguice. É um campo onde se experimenta muito e às vezes se erra. Mas eu cresci em uma cidade portuária. É difícil não se apaixonar com tanta gente indo e vindo, com tanto navio chegando e partindo. Talvez eu fale mais sobre a forma como as pessoas se relacionam do que sobre o amor. Guardo dúvidas sobre o amor nesses tempos líquidos, como diria Bauman, mas espero que eu também esteja certo nas minhas certezas referente a este sentimento.
Quais são os planos pro futuro próximo?
Ir embora.
Vou pedir licença a minha querida e sempre doce Jongleuse, companheira de blog, para pegar emprestado o título e a idéia para essa crônica-ego-trip. Antes que me joguem aos leões famintos, eu me defendo, pois tenho uma boa desculpa: há um circo na cidade.
Ele chegou esses dias. Trailers, caminhões, carros com reboque, vieram todos perfilados, descendo a avenida até a esquina lá de casa. E naquele terreno baldio, abandonado e só, mais parecendo pano de fundo para poemas de T. S. Elliot, foram se agrupando como que em coreografia, demarcando o picadeiro em uma linha imaginária que talvez só possa ser vista por crianças, palhaços e poetas.
Depois de dois dias tropeçando curioso pelo local e, com a lona e os pisca-piscas já devidamente erguidos, resolvi escrever sobre o circo. Tenho problemas com circos, então, perdoem os leitores, mas algumas palavras sairão como um acerto de contas entre nós.
Eu guardo minhas razões. Não gosto de animais em espetáculos, exceto o bicho homem. Acho patético ver os poodles se equilibrando em duas patas, que sofrimento! E os macacos, que sorriem com aquele olhar sempre melancólico do King Kong no alto do Empire State? Pobre do leão, magro, medroso e abatido. Foca eu nunca vi em circo, só nos desenhos animados, mas deve ser tão triste quanto. Então não vou ao circo para ver animais adestrados.
Quanto aos malabaristas, me perdoe, Jongleuse, mas eles me enchem de agonia. Tenho aquela síndrome de sofrimento prévio. Olha, os pratos vão cair! Vai dar errado! Que vergonha que vai ser pro malabarista, meu Deus! E isso se aplica a todos os tipos de malabaristas e acrobatas, incluindo os trapezistas, o cuspidor de fogo e os motociclistas do globo da morte.
Palhaço eu acho triste. Como acho triste as fotos de bandeirinhas de São João tiradas em preto e branco, naquele varalzinho contra o céu de chumbo. Ninguém explica. São minhas idiossincrasias. Cada um com as suas.
Resta-me apenas o mágico. Do mágico eu gosto. Mas daí pra ir ao circo apenas pelo mágico já é demais. Mágico em circo é como coração de galinha. É muito pouco para o conjunto. Aliás, galinha devia ter uns 10 coraçõezinhos, pra valer a pena. Mas deixa isso pra lá. Voltemos ao circo.
Pra mim o circo sempre foi uma fronteira. Uma saída para o mundo. Aquela gente nova, vinda de lugares inimagináveis. O circo foi fuga pra um monte de gente. O circo passava e, vupt, lá se ia alguém pra vida mambembe, fugido com o circo, pra nunca mais. Não havia outro contato com o mundo exterior naquele tempo.
Mas, agora que já me expliquei, chego onde queria chegar, lugar em que Jongleuse já chegou há tempos e onde deve estar me esperando sorridente: o circo é sim uma metáfora da vida. Com toda a tristeza, a melancolia, o medo, os risos e as surpresas.
Todos carregamos um circo no peito. E pior: não dá pra ficar só com a parte do mágico. O bilhete de entrada te faz assistir a todo o espetáculo da existência. Você é obrigado a domar alguns leões, equilibrar-se sobre a corda-bamba, conviver com meia dúzia de palhaços e aturar situações que, eventualmente, te fazem cuspir fogo. Mas ainda assim há mágica, há ilusão e há aquela música de fundo que até que é meio alegre, no final.
E o mais importante de tudo: há a bailarina com uma pintinha no lado da bochecha e uma voz doce. Ah, só a minha bailarina já bastaria pra me fazer aguentar rindo sem parar todo o resto do circo da vida! Eu abro mão até do coelho na cartola pela minha bailarina…
felipe damo parou de escrever e foi viver um pouco…
Escuto teu nome
Na fila da padaria
Sei que não falam de ti
Mas é teu nome que escuto
E ele vem
Por entre as outras palavras
Que povoam a manhã
Em uma panificadora
Desviando das mesas e bancos
Teu nome se esquiva entre os vocábulos
[Um senhor fala ao telefone:
O contrato será fechado.
Uma senhorinha pede se o pão
Ainda está quente.
O rádio dá os resultados
Do futebol de domingo.]
Mas teu nome resiste às palavras alheias
Chega intacto
Ao outro lado do salão
Onde até então eu estava
Tomado pela sonolência
Da manhã de segunda-feira
Teu nome se desdobra
Exerce uma estranha influência
Em tímpanos, bigornas, martelos e estribos
Teu nome desvia por dentro de meu corpo
E chega ao coração que palpita nervoso
Vem uma vontade enorme
De sair gritando teu nome
Na rua entre os carros
Que se amontoam no semáforo lento
Entre os pombos que se demoram
Na calçada do Correio
Entre as pessoas que caminham
Pela rua em contramão
Ah, quantas terão teu nome?
E olharão assustadas
Pensando se tratar de um assalto
Ou briga
Ou mesmo
De uma declaração de amor
Quanto terei que gritar até que
Enfim me escutes
Do alto desse edifício
E pela vidraça azulada
Possas sorrir pra mim
aos poucos te afastarás de mim. tudo começará sem muito barulho, sem que qualquer um de nós perceba de fato o que está acontecendo. um dia ficarás longe de mim, e nem sentirás falta. no começo parecerá estranho, mas aos poucos iremos nos acostumando com nossa não-presença. aos dias que se vão, acompanharão os beijos. depois os carinhos, as conversas intermináveis, os elogios e – aos poucos – representaremos cada vez menos para o outro. chegará ao ponto de sermos amigos. apenas amigos. faremos coisas que amigos fazem. sairemos na tarde de sábado. dividiremos a pizza. assistiremos a um filme b. e com o tempo até a nossa amizade será um estorvo na minha e na tua vida. no sendero por onde desfilaremos nossos novos amores não haverá mais espaço para nós dois juntos. as viagens, os amigos, o dia chuvoso, a visita dos parentes distantes. tudo o que nos mantinha unidos agora será desculpa para ficarmos cada um em seu canto. e nossa amizade, ela também, irá – aos poucos – se desmanchando entre os dedos de nossas mãos, que já não se tocam, já não se afagam. então virão os intermináveis meses que passaremos sem nos ver, sem nos falar e, um dia, sem ao menos ouvir um do outro. não perguntarei mais de ti. tampouco tu de mim. estaremos sempre em lugares diferentes. e nossos amigos nem mais estranharão que não apareceremos mais juntos nas festas, na praia, no mercado. tu te esquecerás de mim. e outra irá se deitar na tua cama. tu chamarás a ela de “meu bem”. e nós, nós seremos dois desconhecidos. eu e você. um dia nos cruzaremos em uma dessas ruas do centro da cidade. como dois estranhos, sem reconhecer nossos olhares, tentaremos lembrar, enfim, de onde nos conhecemos. e não nos lembraremos.
I.
Haverá um dia para a poesia
Longe de tudo isso
Que hoje se chama mundo
Chegará o dia em que os homens
Vão se render
A um poema
E o trânsito
Os viadutos
As liquidações
Os auto-falantes
As máquinas industriais
Em ato-contínuo
Se curvarão à poesia
II.
Mulher
Tu amas um poeta
E um poeta te ama
Deixe que ele escreva
Teu nome no céu
Deixe que ele te pegue pela mão
Que te diga besteiras
Nessa hora morta
De tua existência
Mulher
Teu nome é futuro
A poesia te espera
Na próxima esquina
Tu amas um poeta
E um poeta te ama
Nada mais pode dar errado
[não considerem isso um post...é um estado de espírito, vamos deixar a literatura de lado um pouco e lembrar que isso é um blog]
Todos os dias você acorda – pelo menos comigo é assim – abre a cortina do quarto, olha para o mundo lá fora e pensa que tem duas opções: ou ser feliz ou ser triste.
Hoje eu abri a cortina e decidi ter um dia feliz. Apesar do trabalho cansativo. Apesar dos meus atrasos eternos. Apesar do tempo que escapa. Apesar das notícias tristes do jornal. Apesar da luta que não finda e, por vezes, é ingrata. Apesar de eu te ver menos do que gostaria. Apesar das inúmeras tarefas que eu mesmo tenho comigo. Apesar do meu cansaço. Apesar das minhas fraquezas. Apesar das limitações do meu caráter, do meu corpo e do meu espírito. Apesar do Botafogo, que não tem jeito. Apesar de eu ser um homem muito distante daquele que eu gostaria de ser. Apesar do dia nublado. Apesar das vagas cada vez mais escassas de estacionamento no centro da cidade. Apesar dos textos que estou devendo. Apesar dos fascistas de direita que oprimem os trabalhadores. Apesar da fila na porta da barbearia. Apesar de eu não poder ter contigo a vida que eu gostaria e que você, talvez, mereça. Apesar da guerra civil na Tailândia. Apesar de eu falar de sempre e você falar de às vezes. Apesar do porta-luvas estragado. Apesar da conta no banco. Apesar da gripe suína. Apesar das flores do meu ipê que, por descuido, eu só vi depois de caídas. Apesar de eu ter devolvido aquele livro sem ter lido com a calma que queria. Apesar dessas olheiras. Apesar do passeio que estamos nos devendo. Apesar de ontem, quando eu devia ter te beijado mais. Apesar da música sertaneja. Apesar do cheiro da dobradinha no fogão. Apesar do meu horóscopo, que insiste em dizer que o dia será tenso, pesado e delicado.
Hoje é quarta-feira, seis de maio. Apesar de tudo isso, eu vou ter o melhor dia da minha vida.
A Ilha de Tristão da Cunha surge como uma interferência no mar sem fim. Perdida em algum lugar do Atlântico Sul, a meio caminho do continente antártico, abriga uma única povoação com o poético nome de Edimburgo dos Sete Mares. É considerado o assentamento humano mais remoto do planeta. Lá vivem 280 pessoas. Ou 279. Ou 281. Tanto faz. Lá vive gente. Há uma igreja católica e outra anglicana, uma escola e um posto dos correios, além do pequeno porto, que durante muito tempo foi a única conexão da ilha com o mundo exterior. Hoje tem televisão, internet, telefone. A vida por lá deve ter virado um inferno muito parecido com o nosso. Mas lá na pequenina Edimburgo mora gente. É preciso repetir a oração para não esquecer que além de uma formação vulcânica em forma de cone, por ali andam medos, desejos, frustrações. Por aquelas ruelas estreitas desfilam sentimentos tão infinitos quanto o mar que se esparrama por todos os lados. Haverá em Tristão da Cunha alguém para amar? Sim, entre rochedos escarpados, entre o ir e vir de uma onda no mar gelado, no vento que bate na ilha no meio da tarde. Haverá alguém interessante por quem valha à pena largar tudo, e passar os dias estranho, sorrindo pelos cantos? Haverá alguém com quem possa se acordar e dormir pensando nela? Haverá alguém cujo olhar seja mais cortante que o vento austral? As interrogações se acumulam e estragam o texto. Em Tristão da Cunha a manhã se espalha como a chuva na festa de Nossa Senhora da Assunção.
Sou obrigado a tocar no assunto apesar da chatice melodramática do tema. Mas tem coisa que bota a gente pra emburrar de um jeito que não conserta mais. As pessoas precisam se resolver. Precisam ser francas e honestas com as outras. E precisam ser corajosas a ponto de terminar logo o que não vai dar em nada.
Bom, o texto podia terminar aqui que o autor já teria dado o recado. Mas vamos lá, vou explicar esse fim que se apresenta logo no começo pra não correr o risco de ser incompreendido. Se for incompreendido também, azar. Como diria o Carpinejar, então estaremos quites.
O caso em questão é bastante prosaico. Ele empata a vida dela. Ou ela empata a vida dele. Ou ele empata a vida dele. Ou ela empata a vida dos dois pobres coitados. Hoje em dia tem cada combinação amorosa que não é preciso de muita criatividade pra pensar essa teoria dos conjuntos aplicada à vida conjugal.
Mas é assim que funciona: ele a quer para passar um tempo, pra ter alguém, pra sair de vez em quando, pra dizer que não está sozinho. Ela quer uma relação longa, séria e para sempre. Ta na cara que não vai dar certo. Ele sabe disso. Os amigos dele sabem disso. A mãe dele sabe disso. A irmã também. A mãe dela sabe, mas não fala. As amigas dela sabem, mas não têm coragem de contar. Até a moça que vende Avon sabe. Tá na cara.
Só ela que não percebe. Ela ainda acredita que com o tempo ela vai levando, vai dobrando o cara durão, até que uma hora ela vai se tornar a melhor opção pra ele. E depois, ah, depois de tanta coisa vivida junto, de tanta alegria, tanto sofrimento, ele não vai querer acabar pra começar tudo do zero com outra que, no fim das contas, será igual a ela na maioria das coisas. Mas ele não quer nada com ela. É fato. E ainda assim ele fica empatando a vida dela.
Talvez ele tenha medo. Medo de terminar, mas ao mesmo tempo, medo de viver uma relação corajosa. Tem que ser macho pra amar. Aqui a concordância feminina também vale. Quem não é macha não ama de verdade e acaba vivendo esses amores de mulherzinha. Já tive mulheres que não foram machas pra me amar. E já devo não ter sido macho suficiente pra amar algumas mulheres. Mas nunca empatei a vida de ninguém. Não deu certo? Vamos lá!
Se ele está sempre emburrado, faz pouco caso do que você pensa, nunca está contente, nunca ri pra valer, chora pra valer, se declara pra valer, goza pra valer. Dê um pé na retaguarda dele. Manda essa mala embora.
A vida é muito curta, pessoal. E a vida não nos concederá outra chance. Vamos resolver as nossas vidas, acertar o astrolábio na estrela da manhã e viver uma vida onde ao deitar pra dormir a gente tenha certeza de que naquele dia só não deu pra ser mais feliz por falta de tempo.
Se não está feliz com ela, caia fora. Não vá ficar iludindo a menina. Ele não é o cara certo? Seja honesta ao menos uma vez na vida. Jogue limpo. Acabe logo com isso. Vocês merecem alguém de verdade. Os tempos são outros, agora pode tudo, só não pode não ser feliz por besteiras assim como essas.
A vida é pra viver. Bola pra frente. Não empate a vida de alguém.
talvez falte dor
talvez faltem versos
poesia eu sei que me falta
esse estar poético
que tudo explica e tudo sente
ando tão calado
ando tão silente
ah, Deus!
me cubra de sentimentos verdadeiros
não quero sair por aí
a catar palavras
nesse imenso jardim
abençoai-me, senhor, de versos
as rimas eu dispenso
a verdade não
embora meus poemas sejam delicados
que não seja neles a realidade uma ausência
senhor, te peço poesia,
não clemência
não quero morrer
com o nome dela em minha boca,
mas sim com um verso de liberdade
tatuado no sangue profundo e quente
dos meus olhos cansados